quarta-feira, 7 de novembro de 2012

As medidas de austeridade e a política armamentista do Estado grego

Mais um exemplo da hipocrisia neoliberal, de seus políticos, empresários e ideólogos. Hoje o parlamento grego aprovou (ou está para aprovar) mais um pacote de medidas de austeridade, incluídas aí em especial corte de pensões (aposentadorias) e salários, mas não apenas: inclui também uma dura redução dos gastos públicos com saúde. Esse já é o sexto ou sétimo pacote de austeridade acordado (ou seria imposto? Não estou tão certo que a elite do empresariado nacional e dos partidos políticos tradicionais não aceitam de bom-grado as diretrizes da UE e do FMI. Não é possível que algum interesse eles não tenham com essa postura passiva) pela Troika e aprovado pelo parlamento grego. Enquanto isto, nas ruas dezenas de milhares de trabalhadores, pensionistas, funcionários públicos e pequenos empresários protestam nas contra a política adotada pelo Estado grego, entra governo sai governo, desde 2010.

Com o argumento ardiloso de que um Estado perdulário deve reduzir seus gastos (uma posição, em princípio, correta. Mas a questão é: reduzir em quê? Sem dúvida, não deveria ser nas áreas de ação social), a Troika e os conservadores europeus impõem à Grécia a completa destruição econômica e social. O que está sendo desmontado aí não é uma estrutural estatal ineficiente e desproporcionalmente crescida devido a interesses políticos populistas, mas a parte desta estrutura que desempenha uma função social específica; o que está sendo desmontado é o Welfare State grego, ou seja, a previdência, a saúde, a educação. Claro, quem é diretamente afetado com isso é os trabalhadores. Logo logo só irá restar os aparelhos repressivo e administrativo do Estado, tal como deve ser segundo o neoliberalismo dominante.

Contudo, enquanto a saúde, o trabalho, a educação, a aposentadoria dos trabalhadores estão sendo aniquilados, o Estado grego continua sendo um dos primeiros senão o primeiro país da Europa em nível de gasto militar proporcionalmente ao PIB. Em 2011, foram mais de 7 bilhões de euros, ou seja, mais da metade do valor que o atual pacote de austeridade procura economizar (13,5 bilhões). Em 2009, um ano antes de efetivamente estourar a crise grega, o Estado gastou mais de 10 bilhões em armas. Em termos de proporção em relação ao PIB, esse valor fazia da Grécia o maior comprador de armas da UE, gastando com isso quase o dobro da média gasta pelos demais países-membros. Esses gastos foram pouco reduzidos. E adivinhem quem são os principais beneficiários do belicismo grego? Acertou quem disse Alemanha e França (excetuando os EUA), os mesmos que empurram a Grécia para medidas de austeridade suicidas! Eita hipocrisia do caralho!
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