quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Acabou a agressão em gaza, jamais a guerra

Tenho que tirar o chapéu para Netanyahu e seu chanceler Avigdor Lieberman, ambos de partidos ultradireitistas: criando um inimigo invisível e pintando uma ameaça inexistente, ambos garantiram mais 4 anos de governo. Uma farsa muito bem armada. Terminando a "guerra" em apenas 8 dias, os governistas mostraram-se líderes capazes e eficientes para conduzir a nação. A população israelense sem dúvida verá com bons olhos a condução e o desfecho desta pseudo-guerra. E, considerando que a propaganda ideológica esforça-se para fazer do Irã o próximo inimigo, é muito provável que a tônica das eleições gerais de janeiro próximo estará pautada pelo tema da segurança, terreno onde Netanyahu tem a vantagem face ao principal partido de oposição, o centrista Kadima. Parabéns Netanyahu, você se mostrou um líder à altura dos imperialistas ianques; Obama e Ms. Clinton devem estar orgulhosos de você.

Vejamos os números da agressão. Nas palavras de oficiais da IDF, "o conflito danificou o Hamas e mostrou a força da operação de inteligência israelense". Dificilmente se pode chamar de inteligência uma agressão que deixou mais de 160 palestinos mortos, mais da metade deles civis, sendo 34 crianças. Das centenas de feridos, quase 90 tem menos de 15 anos de idade. Eis aí a eficiência da máquina de guerra sionista. Centenas de edifícios e casas foram destruídos, sem mencionar os danos na infraestrutura básica, como as elétrica e aquífera. Seja como for, dificilmente se poderá chamar de inteligente uma campanha empreendida com armamento pesado dentro de um dos territórios mais densamente povoados do mundo. A verdade é que a única preocupação que Israel mantém em relação aos "efeitos colaterais" é devida a seus impactos negativos sobre a opinião pública (que, a nível internacional, mostrou nas ruas sua oposição ao governo israelense).

Além dos danos humanos, toda a infraestrutura destruída não poderá ser reconstruída, porque Israel mantém um bloqueio criminoso sobre Gaza desde 2007. Entre tantos bens básicos à vida impedidos pelos administradores do bloqueio de entrar em Gaza, dois deles são cimento e vergalhões de aço. Além disso, dos bens permitidos pouca coisa consegue passar efetivamente, e muito se perde nas malhas da burocracia israelense. Houve casos absurdos de bolachas não poderem entrar em Gaza. Como o Hamas poderia construir foguetes com bolachas é uma total incógnita. Outro aspecto do bloqueio: os palestinos não podem mais pescar em seu próprio litoral além de 3 quilômetros da costa. Isso significa, na prática, que não podem pescar, já que grande parte desse litoral está poluído e os locais de pesca estão além desses 3 km. Esse bloqueio não é brincadeira. Os pescadores que se aventuram para além do limite estabelecido têm suas embarcações confiscadas, quando não postas a pique, e são levados preso em território israelense, onde são, via de regra, torturados.

Portanto, quanto a nós, devemos lembrar que uma trégua, ainda que se mostre "duradoura", não chega nem perto da paz, quem dirá da solução para a chamada "questão Palestina". A guerra não acabou. Só acabará quando os palestinos tiverem de volta seu território, a PALESTINA, roubado por um povo estrangeiro. Esperamos apenas, por ora, que os cidadãos de Gaza tenham tempo para enterrar e chorar seus mortos.
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