quarta-feira, 26 de setembro de 2012

As manifestações de ontem e hoje na Espanha e na Grécia: elogio aos black blocs

O governo ilegítimo grego (nomeemos as coisas tais como são) está tentando chegar a um acordo sobre os novos cortes orçamentários. Serão mais 11,5 bilhões de euros (o que, para os padrões do país, é muito dinheiro), economizados através de aumento de impostos, extensão da idade mínima de aposentadoria e corte de 15 mil funcionários públicos. A política econômica de austeridade e recessão é ridícula, absurda! Senão vejamos:

Quem é dono da dívida pública grega? Bancos alemães e francesas, sobretudo. Quem empresta dinheiro para que o governo grego pague a dívida? Os alemães e franceses! A coisa não é assim tão simples, mas pode ser colocada nesses termos sem prejuízo da verdade. Acontece então que são os próprios credores que emprestam dinheiro ao devedor para que este continue arcando com suas obrigações em relação àquele? Sim, basicamente. Contudo, nesse processo o dinheiro aumenta; sai do processo acrescido de um excedente. Portanto, a política econômica de austeridade não procura apenas manter o sistema girando, mas girando e fazendo lucro! E quem paga por esse lucro, ou, noutras palavras, de quem se extrai esse lucro? Da classe trabalhadora grega, e em menor medida da classe média e da pequena burguesia (autônomos, comerciantes locais, pequenos agricultores, etc.). As medidas de austeridade nada mais são do que o método pelo qual se extraem esses lucros.

Não é à toa que o povo grego esteja tão emputecido da vida. Levantar bandeirinha já mostrou que não resolve nada. Protestar com cartazes coloridos, de corpos nus, rostos pintados, é muito fofo e irreverente, mas ineficiente. Não passa de um teatro burlesco. Lá de dentro dos palácios governamentais, os políticos subservientes fingem ouvir os apelos que vêm das ruas, discursam para ouvidos moucos, e a mídia procura fazer crer que amanhã tudo será um dia melhor, e que, sim, que eles se importam e que eles estão tentando fazer o possível, de modo que não deveríamos ser tão duros com a classe política. A passeata passa, e no dia seguinte tudo continua como está, ou, como é mais comum, recrudesce a situação. Hoje na Grécia e ontem na Espanha ficou evidente a atuação cada vez maior e mais organizada dos black blocs. É preciso incendiar, quebrar, destruir; combater ferro com ferro e fogo com fogo. Isto não significa que uma organização partidária não seja necessária, e que devemos nos render ao anarquismo sem proposta e sem visão de futuro. Mas tem horas que é preciso combater violência com violência. Eu prefiro os vultos negros, portando máscaras de gás e carregando coquetéis molotovs nas mãos, aos manifestantes vestindo camisetas engraçadas e fazendo fanfarronices inofensivas.
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