sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Palavras não são inocentes

As palavras não são neutras e muito menos inocentes. Carregam conteúdos sociais e históricos concretos. Pense, e. g., no termo "globalização". Ele surgiu na década de 1980, nas escolas de administração de negócios dos EUA, e servia para designar a nova tendência/necessidade que se impunha aos administradores/investidores para cada vez mais globalizar/exportar suas atividades/negócios. Não tinha nada a ver, portanto, com a ideia de uma nova fase histórico-social, ou uma nova fase no desenvolvimento do capitalismo (embora os anos 1980 efetivamente marquem uma virada importante desse sistema). Hoje, desde os anos 1990, se fala em globalização em todos os sentidos possíveis. Mas o termo pegou mesmo como uma expressão que designa uma dimensão da pós-modernidade, na qual os estados-nações dão lugar a novas realidades globais, desterritorializadas e fluidas. Trata-se de uma concepção equivocada de um processo real. De qualquer modo, todos, sem exceção, compraram essa ideologia que convém ao status quo, e muitos que se dizem críticos do capitalismo a reproduzem. Pois bem, as palavras não são neutras e/ou inocentes. Hoje quem é contrário ao capitalismo ou a alguma de suas consequências e exerce qualquer atividade no sentido de superá-lo é chamado "ativista!". Se for membro de partido, é "militante". Já "revolucionário" (Jesus Cristo! Isso é coisa do cão!) hoje é sinônimo de baderneiro, irresponsável, retrógrado. Urge que chamemos as coisas pelo nome! Somos revolucionários, pobres, pretos, putas, viados, índios, nordestinos, imigrantes, ateus!
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