segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O PT e o Estado-providência

Poucas vezes um pretenso partido dos trabalhadores prestou tão grande desserviço aos trabalhadores do que o PT. Por uma ironia da história, temos hoje, em pleno derrocada do neoliberalismo, nossa própria versão do partido trabalhista inglês e do Estado de Bem-Estar social europeu. Pouco importa que semelhante ironia não passe de fachada, de uma contrafação a la brasileira de política trabalhista/social: a população brasileira em geral e, sobretudo, a inadvertidamente chamada "nova classe média" (uma nova classe média igualmente brasilianíssima), encaram a atual conjuntura como se se tratasse efetivamente de um sólido Estado-providência. Ledo e perigoso engano. Burlado com prebendas banais, nunca estivemos tão feliz (diante desta felicidade, a desgostosa participação do país nas Olimpíadas não estraga a festa). Contudo, é difícil censurar um povo historicamente marginalizado por se contentar com poucas e superficiais comodidades (comodidades que, diga-se de passagem, são muito rentáveis ao capital). Mas é preciso fazer ver que um verdadeiro Estado-providência não se caracteriza pelo automóvel sem entrada a um milhão de prestações, por ligações a 25 centavos ou por um conjunto de móveis novos na sala combinando com a TV de LCD. O problema é que semelhantes presentes de caraíba não passam de ouro de tolo. Abrimos mão de sistemas públicos de saúde e educação de qualidades e universais por confortos ilusórios. Ainda não consegui compreender exatamente as razões pelas quais o Brasil tem sido, até o momento, pouco afetado pela crise econômica mundial. Creio que tem a ver com nosso mercado interno sustentado pelo crédito bancário. De qualquer modo, tenho certeza que, se a crise persistir como creio que irá, logo logo estaremos a ver todas as supostas conquistas do país sob o comando dos "trabalhadores" esfarelarem-se como areia. A questão que realmente me interessa diante deste cenário e saber suas consequências políticas em relação à classe trabalhadora e as possibilidades que ela abre para a luta de classes.
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