segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Contradições da economia mundial

Elas se expressam bastante claramente pela análise do sistema financeiro internacional e, mais especialmente, pelo serviço da dívida norte-americano e o papel que ela desempenha na manutenção desse sistema. Diante da crise da dívida pública, mas também privada, dos países/elos mais fracos da Zona do Euro, a pergunta a ser feita é: se se trata de um problema eminentemente nacional, ocasionado por desequilíbrios no orçamento público e no balanço de pagamentos, por que os EUA, nada menos que o país mais endividado do mundo e com um déficit crônico na balança de pagamentos que remete a quase 40 décadas já, não experimenta a mesma crise econômica que experimenta aqueles países? Os EUA vêm, em função da sua posição e peso no sistema financeiro mundial (não apenas, mas sobretudo, garantidas pelo papel do dólar como moeda mundial), absorvendo uma cota significativa do excedente global para cobrir sua dívida enorme, a qual, ela própria, é criada ao longo de uma complexa política que visa manter o resto do mundo dependente de sua economia. Enquanto dezenas e mais dezenas de países eufemisticamente chamados “emergentes” e/ou “em desenvolvimento” sofrem com o peso e a pressão para manter em dia o pagamento de suas dívidas, os EUA não somente continuam a endividar-se cada vez mais, como também, se necessário for, é o único país capaz de desvalorizar arbitrária e indefinidamente sua própria dívida, na medida em que sua moeda é a própria moeda mundial. Todo o excedente que a estrutura do sistema financeiro canaliza do mundo para os EUA (deve-se ter em conta, contudo, que há diferentes particularidades e matizes estruturando esse sistema, diferenciações que dizem respeito ao lugar, papel e peso que cada país desempenha nele) é usado no sentido de manter constante esse fluxo e, por extensão, a dominação político-econômica dos EUA e a dependência do resto do mundo. Trata-se de um círculo vicioso.
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