quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Belo Monte: Anúncio de uma Guerra


Documentário indispensável para compreender os fatos e as implicações por trás de Belo Monte. Mas não apenas. Chamo a atenção aqui, em particular, para um aspecto do problema: não se trata apenas de Belo Monte ou Jirau; trata-se do projeto político-econômico em sua totalidade que está sendo desenvolvido na região amazônica. Tal projeto não é, com efeito,  deste ou daquele governo, mas do Estado brasileiro e das classes que formam o bloco no poder (lembrando que este bloco no poder não está determinado unicamente pelos partidos e seus membros eleitos, mas, antes de tudo, pelas relações entre eles e com as classes e frações de classe que os sustentam). Transformar a Amazônia num imenso parque energético é uma política de Estado, cujas raízes remontam ao período da ditadura militar. Estão previstas aproximadamente 130 hidroelétricas para o futuro. É simplesmente inadmissível que um ecossistema tão complexo, e que depende acima de tudo de seu ciclo hídrico, possa suportar tamanho impacto sobre sua dinâmica. Por trás desses projetos não estão interesses altruístas e nacionalistas, como querem fazer crer seus defensores (governo federal incluído e encabeçando os setores pró-Belo Monte). Belo Monstro e afins não visam garantir a soberania nacional, a capacidade energética, o desenvolvimento e o progresso - ou, se visam, trata-se de garantir capacidade energético para um desenvolvimento dependente e um progresso excludente. As imensas UHE no norte do país são, em primeiro lugar, ativos/investimentos inerentes à reprodutividade do capital. O que está por trás desses projetos faraônicos de baixa eficiência e alta destruição são os interesses econômicos de uma complexa rede de investidores, empreiteiras, bancos e grandes indústrias que não se circunscreve ao Brasil, mas espraia-se por todas as bolsas do mundo, sobretudo europeias e norte-americanas. A floresta amazônica irá sofrer impactos inimagináveis e incalculáveis; as comunidades nativas/locais serão extintas; as cidades da região se tornarão favelas gigantes. E tudo isto para que? Para que o Brasil continue tendo a energia necessária para extrair e produzir os minérios e a soja que são exportadas para alimentar a máquina do capitalismo global.
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