sexta-feira, 20 de julho de 2012

Cultura para criar psicopatas

De tempos em tempos a mesma cena se repete. E a única explicação que as pessoas encontram parece ser sempre psicologista. Nada mais do que um louco! Mas ou menos como se, de tempos em tempos, dentre tantos loucos, nascesse um disposto a chegar às vias de fato. Daí as soluções: aparte-se os loucos dos sãos; padronize-se todo o mundo; preserve a "boa"sociedade da influência insidiosa da "má" sociedade. Enquanto não se compreender que fenômenos como este são produto de uma sociedade profundamente doente e esquizofrênica (para ficar no campo da linguagem médica), e não me refiro em absoluto apenas aos EUA mas à sociedade capitalista como um todo, chacinas em escolas, universidades, cinemas, etc. continuarão sendo parte da paisagem normal da barbárie moderna. Como uma sociedade que banaliza a morte, espetaculariza a violência e desdenha o sofrimento e a miséria humanas pode se espantar com fatos como este? Como pode ela achar que se trata de uma anomalia, algo externo ao seu funcionamento normal? A violência cotidiana, em suas múltiplas formas e das quais chacinas do tipo "Columbine" constituem apenas expressões radicais, é, ao contrário do que se acredita, o modo normal de funcionamento da modernidade capitalista. Para usar a mesma argumentação psicologista, se os caracteres essenciais do psicopata são a incapacidade de sentir compaixão e remorso, a vaidade e o egocentrismo extremados e a incapacidade de compreender as consequências negativas das suas próprias ações, então não é o atirador da vez que é um psicopata, somos nós todos, é a nossa sociedade.
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