sábado, 23 de junho de 2012

O Globo mente em favor do criminoso Daniel Dantas

Em reportagem publicada no sítio virtual ontem, o O Globo acusa integrantes do MST de invadir e destruir as benfeitorias da fazenda Cedro, no Pará, de propriedade do banqueiro Daniel Dantas. A reportagem, desavergonhadamente cínica, não dá voz a um representante sequer do movimento, e faz questão de repercutir e plantar uma atmosfera de terror - como é de praxe. Mas, o que é digno de nota mesmo, é que o jornal destorceu deliberadamente os fatos. Os integrantes do MST invadiram a propriedade depois que capangas (seguranças) do banqueiro, armados de escopetas e pistolas, abriram fogo contra a multidão, que protestava em frente à fazenda. Cerca de 16 pessoas foram feriadas com gravidade, entre elas uma criança. Ainda não há relatos de mortes. O MST protestava no intuito de pressionar pela desapropriação da área, conforme acordo anteriormente obtido entre o movimento, o poder público e a Agro Santa Bárbara, a empresa detentora da fazenda Cedro e de outras 60 fazendas no região sul do Pará, perfazendo mais de 500 mil hectares. O Instituto de Terras do Pará comprovou que as terras são griladas e, portanto, devem ser destinadas à reforma agrária. Desde 2009 o MST permanece acampado na fazenda para pressionar pela sua desapropriação e assentamento das famílias sem-terra.

Vale notar que o banqueiro Daniel Dantas, proprietário da Agro Santa Bárbara, que foi indiciado pela Operação Satiagraha da Polícia Federal, em 2008, como chefe de uma extensa organização criminosa que opera com todo tipo de crime financeiro e político, é parceiro, em matéria de crimes de colarinho branco, do mega especulador Naji Nahas, que também foi indiciado na referida operação. Segundo a PF, ambos comandam organizações criminosas que, embora formalmente distintas, eventualmente operam juntas. Como sempre acontece, o inquérito não deu em nada, a não ser numa ostensiva campanha da mídia contra a atuação da Polícia Federal, que, segundo ela, estaria abusando de sua autoridade e cometendo crimes administrativos. Quando se trata de investigar as negociatas escusas da elite brasileira, a polícia torna-se inimiga da grande mídia. Nossa querida mídia brasiliana, assim como fez campanha pela desocupação do bairro do Pinheirinho em São José dos Campos, situado em terreno de "propriedade" do especulador libanês (propriedade também conseguida de modo fraudulento, no período da ditadura), ela não tardou em fazer campanha a favor de outro notório criminoso de renome internacional como Daniel Dantas. Dois dos maiores criminosos deste país, que continuam a operar impunemente, duas propriedades adquiridas por meios ilegais; é para tipos como esses que a mídia work for.

Segue a nota oficial do MST sobre o caso:

Trabalhadores Sem Terra são feridos a bala no Pará

Na manhã desta quinta-feira (21/6), jagunços travestidos de seguranças da fazenda Cedro, de propriedade do banqueiro Daniel Dantas, atiraram contra um grupo de trabalhadores rurais Sem Terra ligados ao MST, no Sudeste do Pará, que realizavam um ato político de denuncia da grilagem de terra pública, de desmatamento ilegal, uso intensivo de venenos na área e violência cotidiana contra trabalhadores rurais.

Até o momento, há confirmação de que 16 trabalhadores foram feridos a bala, sendo que, alguns deles, estão em estado grave. Não há confirmação de mortes. 
Cerca de 300 famílias já estão acampadas nessa fazenda desde o dia 1º de março de 2009. Ao todo, foram seis fazendas do grupo de Dantas ocupadas pelos movimentos sociais no período.

Mesmo a então juíza da Vara Agrária de Marabá tendo negado o pedido de liminar de despejo feito pelo grupo à época, o Tribunal de Justiça do Estado cassou a decisão da juíza de autorizou o despejos de todas as famílias.

Através de mediação da Ouvidoria Agrária Nacional, foi proposto um acordo judicial perante a Vara Agrária de Marabá, através do qual, os movimentos sociais, com apoio do Incra, desocupariam três fazendas (Espírito Santo, Castanhais, Porto Rico) e outras três (Cedro, Itacaiunas e Fortaleza) seriam desapropriadas para o assentamento das famílias.

O grupo Santa Bárbara, que administra as fazendas do banqueiro, concordou com a proposta. Em ato contínuo, os trabalhadores Sem Terra desocuparam as três fazendas, mas, o Grupo Santa Bárbara tem se negado a assinar o acordo.

A formação da Fazenda Cedro e de muitas outras fazendas adquiridas pelo Grupo Santa Bárbara no sul e sudeste do Pará (ao todo, adquiriram mais de 60 fazendas num total de mais de 500 mil hectares) vem de uma trama de ilegalidades históricas envolvendo grilagem, apropriação ilegal de terras públicas, fraude em Títulos de Aforamento, destruição de castanhais, trabalho escravo e prática de muitos outros crimes ambientais. 

História, que até o momento, por falta de coragem política, nem o Incra nem o Iterpa se propuseram a enfrentar. Terras públicas cobertas de floresta de castanheiras se transformaram em pastagem para criação extensiva do gado. 

Frente à situação exposta, o MST exige:

- A liberação imediata das três fazendas para o assentamento das famílias dos movimentos sociais;

- Uma audiência urgente no Incra de Marabá, com a presença da Sema, do Iterpa, da Casa Civil para encaminhamento do assentamento e apuração dos crimes ocorridos na área.

- Apuração imediata, por parte da polícia do Pará dos crimes, cometidos contra os trabalhadores.


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST Pará. 
Comissão Pastoral da Terra – CPT Marabá
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