quinta-feira, 7 de junho de 2012

O exemplo grego

O desenvolvimento da conjuntura grega oferece um exemplo emblemático de como e quanto um processo de crise socioeconômica pode refletir-se na esfera política. De modo geral, a tendência do sentido político numa crise é de exacerbação dos extremos, tanto de esquerda quanto de direita.

Em três anos, o PASOK, o partido socialista até este ano governista, perdeu amplo terreno, ao passo que o Syriza (Coalização de Esquerda Radical) assumiu a frente, e em vista de sobrepor-se até mesmo ao Nova Democracia, de centro-direita e que havia se tornado governista derrotando o PASOK nas últimas eleições legislativas, em maio deste ano. Em 2009, o Syriza lograra apenas 4,5% dos votos, enquanto o PASOK alcançava 45% e, juntamente com o Nova Democracia, monopolizavam confortavelmente 85% dos eleitores do país. Na eleição de maio deste ano, entretanto, o Syriza obteve 17%, ficando em segundo lugar. Como o Nova Democracia não conseguiu formar um governo de coalizão no Parlamento, uma nova eleição foi convocada para 17 de junho. 

Do mesmo modo que o Syriza, a extrema-direita tem obtido substancial espaço nas urnas. o partido neonazista Amanhecer Dourado saltou de míseros 0,3% dos votos em 2009, para quase 7% nas eleições de maio deste ano. Ultrapassando a cláusula de barreia, o partido havia logrado cadeiras no Parlamento, mas que não se efetivaram diante da necessidade de novas eleições. A perspectiva para 17 de junho é de 4,5 a 5,8% de votos para o Amanhecer Dourado. 

O Syriza é o novo favorito, cujas estimativas apontam para mais de 30% dos votos. Os desdobramentos da conjuntura grega, tanto interna quanto externamente, ainda são nebulosos. O Syriza não busca prioritariamente separar a Grécia da Zona do Euro ou da UE, mas apenas lutar contra as políticas de austeridade fiscal e a favor de uma moratória da dívida. Correntes internas dividem o partido (que é formado por 12 organizações diferentes) e há aqueles, como os mais moderados, que não apoiam seque a nacionalização do sistema financeiro. Na hipótese, altamente provável, da vitória eleitoral do Syriza, ainda restará ver como o partido irá lidar com suas dissensões internas, com as pressões políticas nacionais e regionais.
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