terça-feira, 12 de junho de 2012

Impossibilidade da eliminação do trabalho vivo

A ideia de que o desenvolvimento tecnológico pode levar a uma situação tal que apenas as máquinas trabalharão (ainda que apenas no setor industrial) é mera quimera e provém de um total desconhecimento das leis do capitalismo – da lei do valor, em última instância. Trata-se de uma generalização indevida feita a partir de fenômenos empiricamente verificáveis, mas que, no entanto, não podem ser expandidos para além dos limites impostos pelo próprio movimento de acumulação do capital. Nem as empresas individualmente consideradas, nem a sociedade capitalista como um todo, podem prescindir da força de trabalho viva no processo de conservação e reprodução ampliada do trabalho morto cristalizado na forma de capital. A razão disso reside na contradição existente entre o processo de produção e o processo de circulação do capital. Enquanto a circulação se faz sobre a determinação do intercâmbio entre equivalentes, a produção se com base na apropriação sem equivalentes de uma dada quantidade de força de trabalho – o mais-valor. Sendo a força de trabalho a substância do valor, uma determinada parte da força de trabalho não é paga na forma de salário e é apropriada sob a forma de mais-valor. Portanto, sem essa apropriação do trabalho vivo pelo trabalho morto (objetivado), o processo de produção giraria em falso, isto é, não faria mais do que conservar um valor já dado, ou em outras palavras, conservaria apenas o trabalho passado objetivado. A simples conservação do valor, por sua vez, representa a extinção do modo de produção capitalista. É essa diferença entre trabalho necessário e trabalho excedente que explica o mais-valor, categoria que, de outra maneira, seria inexplicável. Quando passamos à esfera da circulação, isso fica claro, uma vez que entre vendedor e comprador de mercadorias as trocas são feitas com base em quantidades de trabalho equivalentes. Em tese, portanto, não deveria haver lucro na troca, posto que nela se intercambiam valores iguais. Todavia, o lucro existe, mas não se confunde com o mais-valor. Embora a concorrência explique a existência do lucro, ela não pode explicar a existência do mais-valor.
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