sexta-feira, 22 de junho de 2012

Editorial do Estadão sobre o coup d'etat contra o governo de Fernando Lugo

"Os conflitos ocorridos no dia 15 no Departamento de Canindeyú, perto da fronteira com o Brasil, são, em grande medida, consequência da tolerância do governo diante do problema dos sem-terra paraguaios." Essa é a opinião editorialíssima do Estadão. O jornalão, porta-voz histórico dos interesses do latifúndio paulista e, ulteriormente, também do capital industrial e financeiro, simplesmente faz eco às acusações infundadas da oposição conservadora ao presidente Lugo. O editorialista nem mesmo se dá ao trabalho de oferecer o ponto de vista do presente. Acusando o governo de "atitudes ambíguas" em relação aos sem-terra (e por atitudes ambíguas entenda-se não reprimi-los com toda a força possível), o Estadão não faz senão proteger, explicitamente, os interesses dos brasiguaios, produtores de soja brasileiros ou descendentes de brasileiros que detêm enormes porções de terras no Paraguai, e da burguesia latifundiária em geral. O editorialista apenas comenta superficialmente, como se se tratasse de um insignificante detalhe, o fato de que essas propriedades foram adquiridas ilegalmente durante a ditadura de Stroessner (embora não cite o nome do ditador). O jornal, indigno até para fazer as vezes de papel higiênico, silencia sobre o julgamento sumário violar princípios jurídicos elementares, sem deixar qualquer possibilidade de defesa ao presidente. O Estadão demonstra uma coerente consciência de classe, e manifesta sua solidariedade internacional aos colegas burgueses diante da luta dos despossuídos.
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