sexta-feira, 4 de maio de 2012

A suposta solidez da economia brasileira

Ontem foi empossado o novo ministro do trabalho, Brizola Neto. Na curta solenidade não faltou um pouco mais da já cansativa conversa fiada da robustez da economia brasileira, repisada pelo governo dia-a-dia. Quando se trata de política econômica, não há oposição, domina o conservadorismo da ortodoxia entre situação e oposição. O PT, de forma leviana, não cansa de sublinhar a suposta distância que existiria entre o modo como a Europa e os EUA vêm lidando com a crise e o modo à brasileira. Somente muita cegueira ideológica ou um total desconhecimento de teoria econômica e da conjunta histórica para insistir nessa tese. Não há diferença alguma entre nós e eles, exceto o fato de que estamos ficando sem munição para gastar.

A atual e insólita situação da economia brasileira só se sustenta em função da alta liquidez monetária lograda na última década. Lograda, diga-se de passagem, em função da positividade da conjuntura internacional e não, longe disto, em função da política econômica do governo petista. Acontece que desde 2008 a farra acabou, mas nós por aqui andamos dando uma esticadinha, até quando ninguém sabe. O que o governo fez com o aumento da arrecadação e com a liquidez gerada na última década? Não sei, mas sei que não investiu, isto é certo. De qualquer maneira, consumiu, mas não investiu. Isso reflete na velocidade enorme com que a nossa indústria definha. Apesar disso, há muito crédito e pouco desemprego, de modo que o consumo cresceu, ano passado, a uma taxa de 3 ou 4 vezes maior do que o crescimento do PIB. Se o crescimento continuar caindo à razão vertiginosa como está, haverá fuga de capitais e babau festa consumista.

Na verdade, o crescimento continuará caindo, essa é uma certeza, diante da retração das economias mundias, e em especial diante da dependência do país em relação à China. A China produz bugigangas para a Europa e EUA, e nós produzimos matérias-primas para a China produzir essas bugigangas. Na medida em que a Europa e EUA ficam cada vez mais descapitalizadas, a China compra menos ferro e soja brasileira. Diante da evidência com que se apresenta essa situação insustentável, o governo resolveu (enfim) reduzir a taxa básica de juros, ainda que, como é natural, de modo tímido (pra não deixar o "mercado" puto da vida). No entanto, continua batendo recordes na arrecadação de superávit primário! Qual a lógica nisso? É aí, onde se encontram política fiscal e política monetária, que se revela o verdadeiro compromisso do governo dos trabalhadores, que não é, evidentemente, com os trabalhadores.

Não há fomento ao investimento. A liquidez monetária continua a se aproveitar da alta da renda per capita para financiar um consumo insustentável através das maiores taxas de juros do mundo. O peso do setor primário é cada vez maior na economia, enquanto a indústria míngua a olhos vistos. Noutras palavras, somos cada vez mais dependentes do mercado externo. O setor terciário cresce, mas cresce unicamente em função da alta liquidez. Quando a coisa apertar, e esses capitais fugirem, a coisa vai ficar feia. Aí então, essa suposta solidez com que o governo pinta sua obra, vai se revelar um castelo fincado na areia.
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