quarta-feira, 23 de maio de 2012

Greve dos metroviários em SP: mais da política de criminalização das lutas sociais

Como era esperado, a mídia empresarial juntamente com o governo estadual e municipal de São Paulo iniciaram férrea campanha contra a greve dos metroviários, que se iniciou hoje e deve prolongar-se por tempo indeterminado. De forma cínica, os dois grandes jornais da cidade deturpam os fatos, omitem informações e fazem eco às declarações torpes de ambos os governos conservadores. Ao contrário do que querem nos fazer crer, os grandes responsáveis pela atual condição caótica do transporte público em São Paulo não são os trabalhadores metroviários, mas a política de privatização imposta sobre uma atividade que é de interesse público.

São ao menos três as linhas argumentativas oficiais que buscam deslegitimar a greve: 1) criminalizando-a, ao sublinhar o descumprimento por parte dos metroviários da decisão do Tribunal Regional do Trabalho, que impôs a manutenção de 100% do serviço nos horários de pico; 2) reduzindo-a, ao focar simplesmente na questão salarial, quando, na verdade, a luta dos trabalhadores é tanto por melhores salários (o que significa, também, maior qualidade no serviço) quanto por melhores condições de trabalho, redução da tarifa, expansão do serviço, ou seja, por um transporte público de melhor qualidade e voltado aos interesses do usuário e não das empresas; e 3) desacreditando-a, na medida em que atribuem aos trabalhadores motivações puramente político-partidárias. 

Quanto a este último argumento, o Alckmin acordou hoje dizendo que a greve tinha motivações político-partidárias. Ora, mas é claro que tem! Como se a cultura sindical do peleguismo não tivesse motivações político-partidárias e, em última instância, classistas. E por acaso a questão do transporte público, em particular, e dos serviços públicos, em geral, é uma questão puramente técnica? As motivações político-partidárias de um Alckmin ou de um Kassab buscam sindicatos dóceis, pró-patrão, enquanto centrais sindicais como a Conlutas e partidos como o PSTU querem o oposto. No fundo, as tais motivações político-partidárias são isso, ou seja, acusações veladas contra os movimentos de esquerda. A diferença entre as nossas motivações político-partidárias e as deles, que eles fingem não ter, é precisamente o projeto de sociedade que queremos e pelo qual lutamos. Tem sim motivação político-partidária, e ela é diametralmente oposta às finalidades privatistas, eleitoreiras, promiscuas das motivações político-partidárias dos atuais partidos no poder, seja situação seja oposição. 

O cinismo desses argumentos fica sobremaneira claro quando se tem em conta que os grevistas propuseram à empresa a manutenção do serviço em troca da liberação das catracas para o gozo dos usuários do sistema. Ela não só não aceitou, como ameaçou intervir policialmente caso os trabalhadores insistissem a liberar o transporte enquanto fazem greve. Isso a mídia omitiu descaradamente. Ou seja, as empresas que gerem o transporte público em São Paulo e os governos estadual e municipal pouco se importam com os transtornos que a greve geram à população. Não obstante, vêm à público posar de preocupados com os interesses do povo, insistindo na ideia dos prejuízos com o intuito de jogar a população contra os grevistas. Ora, os patrões tiveram a oportunidade de evitar tais prejuízos, mas preferiram proteger seus lucros. A mídia cumpre seu papel ao negar essa informação, ao mesmo tempo em que deturpa os fatos. 

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