sábado, 26 de maio de 2012

Estudo acerca dos transportes no Brasil, publicado pela FENAMETRO

A Federação Nacional dos Metroviários (FENAMETRO) publicou recentemente estudo acerca da situação dos transportes no Brasil. Embora escrito de maneira simples e direta, o estudo vai ao duplo cerne do problema: 1) o paradigma atual de transporte, tanto de cargas como de pessoas, baseada no sistema rodoviário; e 2) a política neoliberal que assumiu as rédeas do Estado a partir da redemocratização.

Vale lembrar que as duas questões estão intrinsecamente relacionadas. Parte da causa do fenômeno que os economistas liberais acostumaram chamar (muito demagogicamente) de "custo Brasil" reside precisamente na política privatista aplicada - não apenas mas muito intensamente - no setor de transportes. Sem dúvida, não se trata de que questionar o fato óbvio de que o custo, em especial, do transporte e da energia no país encarece a produção brasileira e gera perde de competitividade em nosso comércio exterior. Acontece que a causa disso está precisamente na política privatista que os mesmos economistas defendem! Pode, uma visão mais esquizofrênica e unilateral do que a destes economistas!?

Em resumo, o artigo afirma a inviabilidade e ineficácia do sistema de transportes baseado nos automóveis e rodovias, defendendo em seu lugar uma nova política, baseada nos metrôs e ferrovias. Há razões históricas que explicam a alta dependência do Brasil em relação ao transporte rodoviário, em especial seu processo de industrialização tardio e fundado na indústria automobilística de capital externo. É interessante notar, nesse sentido, que, se o Estado brasileiro abriu mão do sistema ferroviário, o mesmo não se deu em países de capitalismo avançado como os EUA e o Canadá, países que utilizam largamente o transporte férreo, sobretudo na produção.

Soma-se à questão econômica a questão ambiental. Com efeito, o modelo de transporte ferroviário é muito menos poluente do que o rodoviário. Dado que urge o desenvolvimento de um novo paradigma em nossa relação com o meio ambiente, as ferrovias voltam à ordem do dia, e é urgente que rompamos de uma vez por todas com o transporte de pessoas individualizado, ou seja, mediante automóveis privados. Aqui coloca-se ainda outra questão: já não bastasse o auto custo econômico e ambiental que representa o transporte rodoviário, há também o custo urbanístico, sobretudo nas grandes metrópoles. De fato, estamos nos aproximando rapidamente ao ponto limite em que as cidades, tal como estão estruturadas, são capazes de absorver e equalizar o atual paradigma de locomoção.

Como se vê, diferentemente do que pinta a mídia burguesa, a greve dos metroviários coloca em pauta questões que transcendem a mera percepção salarial. Trata-se de repensar toda a nossa política de transportes, e colocá-la não mais em favor do capital mas das pessoas. Apresentando uma enxurrada de dados relevantes, trata-se de leitura indispensável para se entender as reais causas do atual estado deplorável do serviço de transporte público. Contrainformação que é ainda mais necessária face a manipulação da opinião pública por parte da mídia no contexto de greves no setor.
Postar um comentário