quarta-feira, 23 de maio de 2012

1ª nota para um estudo sobre o avanço da extrema-direta na Europa

Nos últimos anos a extrema-direita vem ganhando mais e mais força, sobretudo nos países mais afetados pela crise econômica mundial. À medida que essa ideologia cresce em certas camadas e classes sociais, seus efeitos transbordam para a esfera política, criando ou fortalecendo partidos políticos voltados para a sua defesa. De modo geral, a extrema-direita repudia tanto a esquerda socialista e comunista, e também social-democrata, quanto o liberalismo burguês. Seu discurso caracteriza-se pelo enaltecimento da nação e a defesa de seus supostos interesses. A nação é sempre identificada com certas camadas da população, camadas que nem sempre se relacionam com o poder econômico. A tendência internacionalista e volátil do capital financeiro, por exemplo, é vista de forma amplamente negativa pela extrema-direita. 

O fenômeno da extrema-direita ganha impulso geralmente em momentos de crise. Essa característica pode ser observada atualmente na Europa. A crise do capitalismo financeirizado, de modo geral, e da economia européia, em particular, tem alimentado o rápido crescimento dessa ideologia em camadas das classes trabalhadora e média. Onde a crise é mais terrível, como no caso da Grécia, essa tendência tem se mostrado particularmente evidente, vide a legitimação do partido de extrema-direita nas últimas eleições parlamentares. Mas também pode ser vista onde a crise ainda representa apenas uma tempestade no horizonte. Veja-se, nesse sentido, o enorme respaldo que a extrema-direita francesa obteve na última eleição presidencial, cuja candidata ficou atrás apenas dos dois mais votados. 

Para se chegar à inequívoca compreensão do fenômeno é preciso, em primeiro lugar, compreender os efeitos das transformações no capitalismo contemporâneo (neoliberal ou financeirizado) sobre as camadas e classes sociais que dão sustentação à ideologia da extrema-direita. Sem uma análise que parta da relação entre configuração social e transformações econômicas não se pode compreender o problema em termos exclusivamente culturais ou políticos. Os partidos políticos de extrema-direita são apoiados por determinada parcela da população, e é preciso ver em que as transformações econômicas e, no limite, a crise afetaram-na para se compreender as causas de seu crescimento político e social.
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