quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sérgio (i)Moraes e a orgia pública

Sérgio (i)Moraes, relator do processo de quebra de decoro parlamentar instaurado contra o senhor feudal Edmar Moreira no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o rei do castelo em Minas Gerais, disse, por ocasião de seu afastamento do cargo de relator, que está se “lixando para a opinião pública. Até porque a opinião pública não acredita no que vocês escrevem e nós nos reelegemos mesmo assim".


Excetuando-se os lapsos de memória que acomete a absoluta maioria da população brasileira, padecente de um estado de coma cerebral, não é verdade candente senão o fato de que a corja que deita e rola sobre espólios públicos tem plena consciência da esquizofrenia social da qual sofre esse país? Qual é a novidade?


Gostaria eu de dizer que uma luta encarniçada por tais espólios fossem responsáveis por fraturar a “casa do povo”, cujo espaço destinado à res pública foi transformado em um bordel, cindindo esses porcos em facções distintas, e cujas lutas decorrentes pudessem evidenciar o estado de putrefação avançado em que se encontra o corpo político brasileiro. Haveria aí – na exasperação das lutas – uma esperança. Mas não posso dizer tal coisa. Não quando a farra é de uma magnitude ridiculamente esbanjadora, de tal ordem que não há falta, apenas excessos. Como se sabe não existem lutas encarniçadas quanto o banquete está posto à mesa. Este é tão farto que não há necessidade de se reservarem os restos aos porcos, pois eles vêm à mesa comer também. Com garfos e facas.


Os senhores deputados, donos de castelos, de aviões transportadores de cocaína através da selva amazônica, de redes de radiotelevisão, de bordeis, de cassinos, da justiça, do Estado, do povo, conluiam entre si, congratulam-se e apóiam-se de modo que dentro da Câmara tornam-se Deuses intocáveis. Cada um cobre as costas do outro e juntos eles saciam sua fome grotesca em meio à orgia pecuniária. O asco e a repulsa quase não me permite respirar.
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