sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A velha estrutura numa nova era de (i)responsabilidade

Obama diz que “pisou na bola” com relação às controvérsias geradas em torno de políticos nomeados para seu gabinete. Tom Daschle declinou do cargo de Secretário da Saúde devido ao seu calote de 140 mil dólares na Receita. Além disso, seu passado como lobista da indústria de saúde, da qual ele recebeu cinco milhões de dólares nos últimos anos, obviamente levanta dúvidas sobre sua probidade e imparcialidade no cargo. Todavia, isso não parece ser lá um grande problema para a recém-formada administração Obama já que o vice-secretário de Defesa, William Lynn, também fazia lobby para a indústria militar (Raytheon), e Timothy Geithner, designado para a pasta do Tesouro, idem (Goldman Sachs). Ah sim, este último também possui uma dívida com, pasmem, o Tesouro, de 34 mil dólares. Soma-se a eles Nancy Killefer, cuja dívida pública em impostos também a fez declinar da presidência do setor responsável pela fiscalização dos gastos públicos. O que supostamente era exceção, em duas semanas do novo governo, tornou-se regra, e o discurso venal acerca de uma “nova era de responsabilidade” mostrou-se pura engabelação.


Para além do mero discurso, a ordem executiva assinada por Obama, que institucionaliza a impossibilidade de ex-lobistas assumirem cargos no novo governo, pelo visto não passa de um pedaço de papel sem nenhum valor efetivo. Mais uma vez, serve apenas como ouro de tolo aos que ainda acreditam numa mudança real na imunda política estadunidense. Todavia, para ser justo, ao menos um ato presidencial merece crédito: ter desfeito a ordem executiva da administração Bush que permitia aos ex-presidentes e ex-vice-presidentes controlarem indefinitivamente documentos governamentais que poderiam lhes ser embaraçosos. Um exemplo disso é que o governo Bush não considerava a técnica de simulação de afogamento tortura, sendo admitida como prova contra suspeitos que confessem sob esse tipo de coerção nos tribunais militares.
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