domingo, 5 de outubro de 2008

O capitalismo mundial aponta suas próprias armas contra sua própria têmpora!

Nesse exato momento, forças navais americanas estão cercando o cargueiro ucraniano Faina, seqüestrado semana passada no Golfo de Áden, no chifre africano, quando se dirigia para Monsaba (Quênia) levando armas pesadas, rifles e 33 tanques soviéticos T-72 que o governo da Ucrânia havia vendido ao governa queniano. Segundo o Estado de S. Paulo, além de o governo somali ter concedido permissão às forças navais russas para ingressarem em seu território marítimo e capturarem os piratas, a EU já havia anunciado, quatro dias atrás, a intenção de fornecer ajuda militar contra a pirataria na região com o fito de desmobilizar-la. Desde o começo do ano, os piratas somalis já seqüestraram pelo menos 55 embarcações mercantis, segundo a organização britânica Chatham House. A OTAN também manifestou a intenção de intervir na região.
Para a devolução do Faina, os piratas exigem a quantia de US$ 20 mi de dólares. Até agora, já teriam sido pagos algo em torno de US$ 20 a 30 milhões de dólares desde o começo do ano.

Quando é o mercado capitalista global que está correndo risco devido a certas ações criminosas, todas as “polícias” do mundo querem intervir. Já quando a questão é de fato verdadeiramente sobre “direitos humanos”, a exemplo da questão do genocídio apoiado e levado a cabo, nesse exato momento, pelo governo sudanês em Darfur, a história muda. Aí sim, o direito internacional de autodeterminação dos povos é válido. Contudo, o engraçado nisso tudo é que, segundo o governo queniano, o armamento transportado pelo cargueiro ucraniano – que fora vendido legalmente segundo as normas internacionais – seria posteriormente enviado para o Sudão ilegalmente – a polícia do Quênia prendeu um oficial da Marinha que supostamente declarou o verdadeiro destino das armas, o que nos leva a supor que tal transação seria feita de forma ilegal – e, portanto, contribuiria para o genocídio em Darfur.
A questão toda gira em torna da possibilidade sempre real do comércio de armas no mundo resvalar em processos ilegais, acobertados por vendas legais, acabando por recrudescer e alimentar as guerras civis que consomem o Terceiro Mundo. Com efeito, as armas que alimentam os rebeldes e as guerras civis, do Iraque ao Afeganistão e Paquistão, do PKK ao Sudão, são em sua grande maioria advindas dos estoques russos da Guerra Fria e da industria bélica yanque. Decerto, são suas próprias armas voltadas às suas próprias têmporas.
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