quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Hoje não acordei pra outro dia

Hoje não acordei para um dia. O sol me esperava a pino enquanto eu ainda sonhava coisas estranhas. “Qual o propósito?” Perguntava-me. Pensava: estou bem acolhido entre camadas e mais camadas de pensamentos solitários. Um dia, resolvi acordar. Caminhei bambo com os pés descalços em direção à janela. Olhei. Parecia meu sonho, mas de certa forma estava tudo de cabeça pra baixo. Podia ver todo o mundo em sua esplendida balburdia janela a fora. Fiquei curioso, confesso: um tanto assustado. Jamais havia estado ou mesmo presenciado uma realidade onde os homens vivessem juntos. Aquela mixórdia de sons, cores e movimentos agrediam-me os sentidos. Passado décadas da minha existência, nunca provara sabores novos além de variados pratos de solidão. Este me era familiar e, apesar de constituir minha morada e refúgio, eu já estava ansioso para fugir de casa.
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