sexta-feira, 26 de setembro de 2008

CEOs wargame

A Business Roundtable talvez possa ser considera o maior lobby do capital dentro dos EUA. Isso porque abriga entre seu rebanho os CEOs (diretores executivos) das maiores corporações privadas do mundo. A associação é formada por 160 CEOs que congregam sozinhos US$ 4,5 trilhões em rendas anuais e 10 milhões de empregados no mundo todo. Todas as companhias membros representam 1/3 do valor total do mercado de ações dos EUA e correspondem a 40% do total de impostos pagos ao governo referentes aos rendimentos empresarias do país[1]. Nos quadros da associação estão presentes gerentes corporativos de gigantes como a International Group, Citigroup, Lockheed Martin, Exxon Móbil, General Electrics, Ford, entre outros.
Segundo a própria associação, que evidentemente acredita na capacidade auto-regularizadora do mercado, ela está “committed to advocating public policies that ensure vigorous economic growth, a dynamic global economy” (comprometida em advogar políticas públicas que garantam um crescimento econômico vigoroso, e uma economia global dinâmica), sendo que a associação se acha particularmente apta a realizar tal papel uma vez que ela pode “draws on CEOs directly and personally, and presents government with reasoned alternatives and positive suggestions” (reunir os CEOs direta e pessoalmente, e com o governo apresentar alternativas fundamentadas e sugestões positivas). Noutras palavras ela busca, na medida em que angaria e congrue forças econômicas gigantescas, influenciar decisões de políticas públicas em face de interesses que, longe de serem salutares para a sociedade como um todo e mais ainda para a população, constituem tão-somente seus, qual seja, desregulamentação financeira, favorecimento da iniciativa privada, quebra de direitos trabalhistas. Enfim, a velha e conhecida agente neoliberal posta em prática por Reagan e aprofundada brilhantemente por Clinton, Bush pai e Bush filho.
Escandalosamente a Business Roundtable acredita que “the basic interests of business closely parallel the interests of the American people” (os interesses básicos dos negócios [leia-se capitalismo] correm paralelamente com os interesses do povo Americano)!!! Nada poderia ser tão revelador da mentalidade estadunidense quando tal discurso ideológico da classe capitalista.
É sabido que o 11/9 ensejou a maioria das políticas atuais de “contra-terrorismo” – contra quem? O povo? – controle de informação e expansão neoimperialista. O fato é que a histeria coletiva injetada nas veias da sociedade mediante campanhas do medo e do pânico, mantida sempre efervescente no sangue coletivo com o “panic button” apertado, conferiu ao governo e, por tabela, às corporações de empresas privadas, poderes nunca antes visto. Obviamente, quando se outorga poderes dessa magnitude, baseada no complexo militar-industrial mais poderoso do mundo, a um Estado que faz guerra em nome de supostos princípios éticos-morais mas que na verdade a faz por mercados e para escoar sua produção bélica, as conseqüências podem ser irreversíveis. Nesse sentido, além da guerra constituir um ótimo negócio, a “ameaça iminente” de ataques configura outro tipo de potencialidades econômicas.
Dois meses após o 11/9 a Business Roundtable criou a Business Roundtable Security Task Force, uma seção da associação destinada, segunda a empresa, a conferir proteção e defesa à setores estratégicas da sociedade norte-americana, uma vez que 85% da infra-estrutura do país esta nas mãos da iniciativa privada. Dentro desse setor foi criado, juntamente com o Departamento de Segurança Interna do governo americano, o programa chamado de CEO COM LINK[2]. Este programa constitui uma hot line dos CEOs da associação conectada com o governo, ou seja, é nada menos que uma linha de telefone ligada diretamente com o Departamento de Segurança Interna dos EUA disponibilizadas para os CEOs e habilitadas para ser usada em caso de “ameaça terrorista”. Segundo a ativista Varda Burstyn, “este aparato de comunicação sem precedentes e sem igual cria a possibilidade de que em uma emergência seria a Casa Branca e os gerentes das maiores corporações (não eleitos) que tomariam decisões políticas essenciais, deixando de lado e usurpando o Congresso (...)”[3]. Para ela esse tipo de aceso privado à informação restrita e uma vigilância totalitária defendida como “necessária” para a segurança nacional, leva o Estado americano a um tipo de Estado nos moldes do Partido Interno do romance de Orwell (1984).
É o poder do Capital controlando a política e o interesse público. Cuidado você está sendo vigiado!


Notas:
[1] Disponível em: http://www.businessroundtable.org/aboutus/index.aspx
[2] http://brt.org/taskForces/taskforce/document.aspx?qs=6D35BF159F349514481138A74EA1851159169FEB5623EB4
[3] Socialist Register 2005: O império reloaded. Buenos Aires, CLACSO, 1ª edição, 2006.
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